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Setor produtivo discute alternativas para o abastecimento de grãos em Santa Catarina

O trigo, aveia, centeio e cevada podem representar uma renda extra para os produtores e também suprir a demanda da cadeia de proteína animal

12/11/2021 08h38
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Por: Redacao Fonte: Assessoria de Comunicação
A Secretaria da Agricultura lançou o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno (Foto: Divulgação / SAR)
A Secretaria da Agricultura lançou o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno (Foto: Divulgação / SAR)

Grande produtor e exportador de proteína animal, Santa Catarina se tornou também um dos maiores importadores de grãos do país. O abastecimento de milho é um dos principais gargalos do setor produtivo e o cultivo de cereais de inverno tem se mostrado uma alternativa viável para suprir a demanda interna. As oportunidades para aumentar a oferta de grãos disponíveis para a fabricação de ração animal foram o tema da reunião da Câmara de Desenvolvimento da Agroindústria da Fiesc, realizada ontem, em Florianópolis.

“Esse ano nós já vamos comemorar os bons resultados do cultivo de cereais de inverno em Santa Catarina e sabemos a importância desse elo para a competitividade da cadeia produtiva de carnes no estado. Nós temos, aproximadamente, um milhão de hectares disponíveis e que podem ser cultivados no inverno, isso nos traz um horizonte de grandes oportunidades tanto para os produtores quanto para as agroindústrias”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva.

O trigo, aveia, centeio e cevada - cultivados nas épocas mais frias do ano - podem representar uma renda extra para os produtores e também suprir a demanda da cadeia de proteína animal. Desde 2013, os pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estudam os aspectos nutricionais e econômicos dos cereais de inverno, a intenção é identificar quais cultivares são mais adequados para ração animal, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, Eduardo Caierão, o foco dos estudos é utilizar o trigo especificamente para ração, seja com um novo cultivar ou aproveitando um material já existente. “Com a disponibilidade genética que nós temos hoje, é possível, no mínimo, dobrarmos a produção com a mesma área. Nós temos lavouras com rendimento de 100 sacos por hectare e, todos os anos, nós temos o lançamento de novas variedades, mais resistentes e mais adequadas ao que o produtor precisa. A cultura do trigo é uma cultura de risco, mas o pior de tudo é não ter o que colocar no inverno, esse é o erro mais grave”, explica.

Para as agroindústrias, a maior oferta de cereais de inverno para a produção de ração representa um ganho de competitividade e amplia a capacidade de investimentos do setor produtivo. “Devemos estar atentos ao tema da competitividade e isso passa por temas logísticos e, principalmente, pelo tema de abastecimento de grãos. Hoje, nós temos novos desafios, entre eles a sustentabilidade da produção. E aumentar a nossa eficiência de produção é, talvez, a nossa maior contribuição para a sustentabilidade do planeta porque vamos produzir mais toneladas de alimentos com um menor uso de recursos naturais, ou seja, com mais eficiência”, ressalta o pelo presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne SC), José Antônio Ribas Júnior.

Safra de trigo em SC

De acordo com estimativa da Epagri/Cepa, Santa Catarina deve colher a maior safra de trigo dos últimos 10 anos, com produção de 348 mil toneladas, um incremento de 102% em relação à safra anterior. O cenário resulta do crescimento de 74% na área plantada, reflexo dos bons preços pagos aos produtores, associados ao incentivo do Governo do Estado no cultivo de cereais de inverno.

Incentivo à produção de cereais de inverno em Santa Catarina

Para reduzir a dependência de milho e os custos de produção da cadeia produtiva de carnes e leite, a Secretaria da Agricultura lançou o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno. Com investimento de R$ 5 milhões, os produtores receberam apoio para cultivar trigo, triticale, centeio, aveia e cevada, que devem ser utilizados para fabricação de ração.

O projeto conta ainda com áreas experimentais para avaliar 30 cultivares em diferentes solos e climas. A ação conta com o apoio da Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí (Cravil), Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense (Coopersulca), Cooperalfa e Cooperativa Agroindustrial Cooperja.

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